É adulto, quer aprender a tocar violino, só tem 20 minutos por dia e acha que não dá? Arthur Lauton te ensina que dá sim!
Olá, gente amiga! Essa dica é bem específica para os Sherlocks de plantão, adultos que querem tocar seu violino e tem pouco tempo disponível, seja porque estão resolvendo mistérios por aí ou porque a correria do dia-a-dia impede de ter mais tempo para essa prática! É seu caso? Então confere esse material que recebi e achei bem interessante!
Há quem pegue o instrumento todos os dias, tente acompanhar vídeos, repita músicas conhecidas e, mesmo assim, sinta que continua no mesmo lugar. Para Lauton, esse é um dos erros mais comuns entre iniciantes adultos.
“Tem gente que estuda violino uma hora todos os dias e vai descobrir que nunca estudou violino na vida, que sempre tocou. São coisas completamente diferentes”, afirma.
A diferença, segundo ele, muda a forma como o aluno usa o tempo disponível. Tocar é executar algo que já foi aprendido ou tentar reproduzir uma música. Estudar exige outro tipo de atenção: observar o que não funciona, separar pequenos trechos, repetir com objetivo, usar metrônomo e entender qual técnica precisa ser desenvolvida.
“Quando a pessoa só pega o violino, entra no YouTube, vê um vídeo e tenta tocar uma música, isso não é estudar. Ela está apenas tocando. E quem só toca não evolui do jeito que poderia”, explica.
Pouco tempo não precisa ser problema
A falta de tempo é uma das principais queixas de quem tenta aprender um instrumento na vida adulta. Trabalho, casa, filhos, deslocamento e cansaço tornam difícil manter longas sessões de estudo.
Para Lauton, porém, o problema nem sempre está na quantidade de minutos disponíveis. O que atrapalha muitos alunos é gastar parte desse tempo decidindo o que fazer.
“O maior erro de quem só tem 15 ou 20 minutos não é estudar pouco. É gastar metade desse tempo escolhendo o que vai estudar”, diz.
Segundo o violinista, uma sessão curta pode render mais quando já começa com objetivo claro. Em vez de pegar o instrumento e tentar tocar uma música inteira, o aluno deve saber previamente qual habilidade vai trabalhar naquele dia.
Pode ser afinação, troca de cordas, ritmo, postura da mão esquerda, controle do arco ou leitura de partitura. O ponto central é não transformar o estudo em tentativa aleatória.
“Vinte minutos podem ser suficientes, desde que sejam os 20 minutos certos”, afirma.
Técnica, aplicação e repertório
O método defendido por Lauton organiza o estudo em três pilares: técnica, aplicação e repertório.
A técnica é o momento de entender o movimento. É quando o aluno observa como posicionar os dedos, controlar o arco, ajustar a postura ou melhorar a afinação. A aplicação vem depois, com exercícios específicos para transformar esse entendimento em ação. Só então entra o repertório, ou seja, as músicas.
Segundo ele, muitos iniciantes fazem o caminho inverso. Começam pela música que desejam tocar e tentam resolver todos os problemas dentro dela. O resultado costuma ser frustração.
“Nunca a gente começa estudando direto numa música. A música é o conjunto de técnicas que você preparou antes. Se você começa pela música, vai tocar mal porque não construiu a base”, avalia.
A lógica vale principalmente para adultos, que tendem a querer resultados rápidos e podem se frustrar quando percebem que o som não sai como imaginavam. Para Lauton, o repertório deve ser tratado como consequência do estudo, não como ponto de partida. Isso não significa abandonar as músicas, mas entender que elas funcionam melhor quando o aluno já preparou as habilidades necessárias para tocá-las.
Repetir não é sempre evoluir
Outro erro comum, segundo o violinista, é acreditar que repetir muitas vezes é suficiente para melhorar. A repetição ajuda, mas só quando vem acompanhada de correção. Se o aluno repete o mesmo trecho com a mesma tensão, a mesma desafinação ou o mesmo erro de ritmo, ele apenas fortalece o problema.
“Estudar é olhar para o que ainda não está bom. Se a pessoa repete sem perceber o que precisa ajustar, ela pode passar meses reforçando o erro”, afirma.
Por isso, Lauton defende que o aluno adulto aprenda a observar o próprio estudo. Uma sugestão é dividir a sessão em pequenos blocos: primeiro aquecimento, depois um exercício técnico, em seguida um trecho curto de música e, por fim, uma revisão do que melhorou e do que ainda precisa de atenção.
Também ajuda a anotar o foco do dia. Em vez de escrever apenas “estudei violino”, o aluno pode registrar: “trabalhei troca de cordas”, “melhorei a afinação no segundo compasso” ou “toquei com metrônomo em velocidade mais lenta”.
O que estudar em 20 minutos
Para quem tem pouco tempo, Lauton orienta uma rotina mais simples. Os primeiros minutos podem ser usados para preparar postura, arco e afinação. Em seguida, deve escolher um exercício técnico específico. Depois, pode aplicar essa técnica em um trecho curto de música.
A parte final deve servir para revisar o que foi feito, sem tentar abraçar tudo de uma vez.
Um exemplo de sessão curta pode incluir:
- 3 minutos de preparação e afinação;
- 7 minutos de exercício técnico;
- 7 minutos de aplicação em um trecho pequeno;
- 3 minutos de revisão e anotação do próximo foco.
A orientação é evitar estudar sempre no improviso. Segundo o violinista, quem tem pouco tempo precisa começar a sessão sabendo exatamente qual problema pretende resolver.
Aprender adulto exige outro método
Lauton diz que sua visão sobre o ensino mudou a partir da própria trajetória. Antes de entrar na universidade, ele já tocava violino havia anos, mas precisou rever vícios técnicos e reconstruir parte do aprendizado.
“Eu tocava todo torto, com um monte de vícios. Era aquele esquema em que um ensina para o outro, que ensina para o outro, e muita coisa errada vai passando junto”, recorda.
Para ele, o adulto não deve ser tratado como uma criança que começou tarde. Esse aluno tem outra rotina, outras cobranças e outro tipo de ansiedade. Por isso, precisa de um método que respeite o tempo real disponível.
A principal mudança, segundo o violinista, é parar de medir o estudo apenas pelo relógio.
“Tempo é vida. Se você passa um dia estudando do jeito errado, perdeu um dia que poderia ter dado resultado. Tudo que você faz no violino precisa ter um objetivo”, conclui.
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Quem é Arthur Lauton?
Formado pelas universidades USP e UFBA, estudou com mestres como Claudio Cruz, Elina Suris e outros nomes da elite da música clássica nacional e internacional. Já tocou nas maiores orquestras do Brasil, incluindo a OSBA, onde ele estava no ano em que foi eleita a melhor orquestra do país em 2023.
Na música popular já dividiu o palco com Caetano, Gil, Chitãozinho & Xororó, BaianaSystem, Sérgio Reis, Saulo, entre outros gigantes da música brasileira.
Levou seu violino para 9 estados brasileiros e países como China, EUA e Chile. É criador do canal Como Tocar Violino, que se aproxima dos 250 mil inscritos e já soma 14 milhões de visualizações. Hoje ajuda milhares de pessoas a aprender violino do zero com leveza, didática prática e orientação profissional.

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